segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Regina

Regina


Alemanha, Ano 1545

Numa aldeia do reino do Rei Philip vivia uma camponesa chamada Cora.

Todos os dias ela trabalha no moinho e no campo para o seu pai.

O reino passava momentos difíceis especialmente naquele dia em que o reino fazia memória da morte da saudosa rainha Aurora. Aurora, esposa de Philip, tinha morrido há 5 anos, em 1540, vítima de uma peste que assolara a região.

Philip era um escudeiro do Rei Stephan. Stephan prometeu que daria a mão em casamento da sua filha Aurora a quem derrotasse e matasse uma besta selvagem que assolava o reino. Philip sai vitorioso e torna-se rei ao se casar com Aurora.

Philip tinha um temperamento agressivo e ansioso e do que se tornou um casamento por interesse transformou-se num amor verdadeiro. Aurora tinha um coração amoroso e uma ternura que amoleceu e conquistou o coração de Philip.

Aurora e Philip


Juntos eles tiveram dois filhos: Leopold e James. Enquanto Leopold preferia atividades tranquilas, dedicando-se à literatura, dialética e filosofia, James, por outro lado, preferia a arte da guerra e da conquista.

Em 1540, quando Leopold tinha 5 anos e Philip tinha 30 anos, a Rainha Aurora falece deixando um legado de caridade e amor para a sua família e também para todo o reino.

Com a morte da rainha, o Rei Philip esfriou o seu coração e governou o seu reino com braços de ferro, exigindo mais dos seus súbitos com mais impostos e exigências.

Cora, em 1545, tinha os seus 20 anos. O pai de Cora, Jonathan, como meio para enriquecer transportava ilegalmente mantimentos e produtos para o reino vizinho.

Essa rede ilegal colocou Jonathan sob a alçada da máfia, uma espécie de máfia do séc. XVI.

O principal cliente de Jonathan era o Rei Xavier que constantemente invejava os produtos do reino de Philip.

Por ter se atraso numa entrega, os contrabandistas castigam Jonathan quebrando a perna dele. Debilitado, Jonathan, incapaz de continuar o seu ofício, manda a sua filha Cora realizar a encomenda.

Cora sente medo e aflição pois não concordava com o contrabando que o pai realizava mesmo sabendo que era o único meio de trazer sustento para a sua casa. Mas, ao ver a agonia do seu pai e o perigo dele ser morto pela máfia se falhasse novamente, Cora enche-se do coragem e parte em missão.

Ela junta-se a mafiosos e atravessa num barco por um canal escondido no mar do exército de Philip atravessando assim a fronteira. Ela chega ao reino de Xavier e dirige-se numa carruagem para o palácio.

No palácio, Cora esbarra contra o príncipe Henry, o filho do Rei Xavier.

Henry pensava que Cora era da realeza e começa a falar com ela. O Rei Xavier apercebe-se da situação e manda punir Cora pois era inadmissível uma plebeia estrangeira falar com o príncipe.

Henry vem em defesa de Cora, intercedendo para que o pai não lhe castigue.

Cora veio mais três vezes ao palácio e em todas as situações ela encontrava-se com o príncipe. Os dois apaixonaram-se e ponderaram casar, mas as diferenças sociais eram um impedimento.

Henry apelou novamente ao pai que após repetidas negações, o Rei Xavier percebe que o seu filho estava verdadeiramente apaixonado e aprova o relacionamento dos dois.

Para não causar escândalo, ele decide tornar Cora um membro da nobreza dando-lhe uma casa real com uma dinastia, ou seja, uma família falsa. Este truque era para que aos olhos do público parecesse que Cora sempre pertencera à nobreza.

filha do moleiro
Porém, para isso, ela teria de renunciar às suas origens e abandonar para sempre o seu pai e se abandonasse o pai estaria a condená-lo à morte pela máfia. Mas vendo uma oportunidade de melhor a sua condição de vida e de livrar-se de atividades ilegais, Cora fez uma decisão difícil, uma decisão que após noites em claro e de muitas lágrimas derramadas tomou, a decisão de aceitar a nobreza e de condenar o seu pai, por consequência, à morte.

O plano de Xavier foi bem-sucedido e Cora casa-se com Henry.

Meses depois, Cora dá à luz a sua filha com Henry, dando-lhe o nome de Regina.

Como Henry não era o herdeiro de Xavier, nem ele, nem Cora ou Regina poderão ascender ao trono.

A vida de Cora como nobre e princesa foi marcada pela memória do seu pai.

Ela frequentemente tinha pesadelos da morte do seu pai pelos gangues por ter falhado a encomenda. Em cada noite, ela sonhava diferentes formas com que o seu pai era morto.

A culpa do abandono e da morte do pai, não deixava Cora desfrutar dos benefícios e maravilhas da realeza.

Como Henry não era o herdeiro, ele não residia no palácio real de Xavier, mas no castelo do ducado que administrava. De qualquer das formas, vivia repleto de luxos, posses e poder.

Regina cresceu no ambiente real desconhecendo as origens traumáticas da sua mãe. Cora foi para ela uma mãe muito protetora, exigente e fria para não revelar as suas emoções. Por outro lado, Henry demonstrou ser um pai amoroso e próximo a Regina.

Muitas vezes quando Regina e Cora muitas vezes se desentendiam, Regina ia chorar para o quarto e Henry vai até ela para a confortar dizendo muitas vezes que Regina era a “mais bela de todas”.

Cora ambicionava que Regina seria um dia rainha, e por isso demonstrava muita antipatia ao Príncipe Real George, o filho mais velho do Rei Xavier. George sabia disso e também odiava a sua cunhada Cora.

George como herdeiro e futuro rei à medida que os anos iam passando ganhava mais poder e autoridade. Ele fora responsável por acabar com o contrabando que tinha no seu reino e principalmente no seu palácio real. Ele argumenta que o seu reino tinha os seus próprios recursos e que apesar de não serem valiosos ou caros eram um orgulho para a nação e que era extremamente degradante o comércio ilegal para a aquisição desses recursos cobiçados. Por isso, ele reforça a segurança nas fronteiras e faz um acordo com o Príncipe James, filho de Philip, para acabar com o tráfico.

A inimizade crescente entre George e Cora acarretou na supressão de muitos benefícios reais à família dela, apesar da boa relação entre os irmãos George e Henry.

Regina apaixonara-se por Daniel, um criado que trabalhava no castelo do ducado.

Por medo da sua mãe, Regina e Daniel mantiveram um relacionamento oculto e secreto.

Em 1570, o Príncipe Real James parte numa missão para combater os mouros no norte de África.

Na noite anterior à partida, Leopold tenta convencer o irmão a não ir e eles começam a discutir. A discussão começa a agravar-se ao ponto de James dar uma bofetada a Leopold dizendo que um dia será rei, que irá poder fazer tudo o que quiser e que Leopold teria que obedecer sem questionar. James acabaria por partir em missão.

A batalha não foi fácil, James cai do cavalo e é degolado. O corpo dele nunca mais apareceu, mesmo após buscas posteriores.

O reino de Philip entra num luto profundo. Vários chefes de estado participaram no funeral, incluindo o Rei Xavier. Xavier consola Philip e o abraça intensamente. Philip está extremamente angustiado e triste.

Terminado o funeral, Philip fica sozinho diante do tumulo do seu filho que estava ao lado do tumulo da Rainha Aurora.

Ele relembra-se de todos os momentos e de todas as recordações que tinha de James.

Recorda-se de um episódio em que James lhe pergunta como estava o relacionamento do pai com Eduarda, a nova companheira. Philip responde que desde a morte de Aurora nenhuma mulher tem conseguido conquistar o seu coração e que por isso iria deixar Eduarda. Acrescenta que Eduarda não conseguia deixá-lo nervoso, algo que Aurora o conseguia deixar e algo que James também o conseguia deixar, sinal de que o amor nos deixa desconfortável, ansiosos e desajeitados. Depois disso, Philip e James se abraçam.

Depois desta e de muitas outras recordações, o Rei Philip, que não tinha dormido nem comido desde a morte do filho, chega a um ponto de uma angústia tão profunda de desolação que tem um ataque cardíaco e cai morto para dentro do tumulo de James que ainda não tinha sido coberto.

Na mesma semana em dias consecutivos o reino assiste a dois funerais. O funeral do Rei e do príncipe marcaram profundamente o reino inteiro. Um segundo funeral é organizado. Desta vez estiveram presentes, do reino vizinho, o Príncipe Real George, o Príncipe Duque Henry e a duquesa Regina que vinha acompanhar o pai.

Branca de Neve criança
Os olhares de todos estavam voltados para Leopold que seria agora coroado rei. A única pessoa que podia consolar o coração do futuro rei era a sua esposa Eva e a sua filha Branca.

Foi nesse funeral que Leopold e Regina se viram pela primeira vez. Num momento em que Leopold estava casado com Eva e com uma filha e Regina namorava secretamente Daniel.

Quando Regina e Henry, terminando o funeral, voltaram ao seu ducado, Regina foi correr para matar as saudades de Daniel.

Regina foi para o posto de cavalaria, onde Daniel trabalhava e deparou-se com algo que lhe despedaçou o coração: ela encontra Daniel ensanguentado morto no chão.

O choque de ver o amado morto envolve a alma de Regina numa tristeza profunda. Porém, no meio de tanta dor, ela vê na poça de sangue um anel. Anel esse que Regina reconheceu pertencer a Cora, a sua mãe.

Na noite anterior em que Regina e Henry partiram para o funeral de Philip, Cora que já tinha descoberto o romance secreto da sua filha, aproveitou a oportunidade de estar sozinha, para ir ao posto de cavalaria confrontar Daniel.

Ela encontra o jovem, revela conhecer o segredo do romance e ameaça-o para que ele deixasse a sua filha e que nunca retorne ao reino. Daniel mantém uma postura forte e determinada dizendo que Cora não iria impedir o amor da sua filha e que não iria obedecê-la, pois ela era somente a consorte de um ducado que estava a perder importância e prestígio.

Quando Daniel vira-lhe costas, Cora enraivecida espeta-lhe um punhal nas costas dele, matando-o. Ela retira o punhal sem perceber que o gesto fez cair o seu anel e deixa o jovem morto no local.

Regina descobrindo que a própria mãe teria matado o seu amado, decide agir.

Ela encontra Cora na varanda do castelo e confronta-a com a verdade.

Cora age fria dizendo que fez um favor para a filha e que Daniel era um obstáculo para que se torne a rainha que nasceu para ser. Regina desolada confronta a sua mãe e uma luta começa. Regina acidentalmente neste confronto empurra a mãe pela varanda a matando.

O Príncipe Henry assistia secretamente e em choque a todo este confronto.

Após o funeral de Cora, Regina estava muito perturbada por ser a causa da morte da mãe e tendo tanto a imagem tanto da mãe como Daniel mortos.

Henry nota o estado da filha, pois conhece o que verdadeiramente aconteceu, ele lhe diz que a morte de Cora foi um mero acidente e oferece para a filha uma maçã como uma prenda para “a mais bela de todas”.

Henry tenta consolar a filha, mas ele própria estava muito abalado. Ele tem lembranças do dia em que conheceu Cora, de como defendeu-a do Rei e do nascimento de Regina. Ela chora copiosamente, lágrimas essas que foram notadas por Regina.

O Príncipe Real George consola o irmão. George apesar de ter demonstrado uma antipatia por Cora, amava profundamente o irmão e consolou-o neste momento de dor.

George conta a Henry que o pai o Rei Xavier estava a pensar retirar-se do trono, após apresentar os primeiros sinais de demência. Com a coroação próxima, George pede que Henry reine a seu lado, mas Henry nega a proposta dizendo que agora todo o foco da sua vida estaria em Regina.

Anos depois, quando a Rainha Eva, esposa de Leopold morre, o novo Rei George chama Regina em audiência dizendo que o Rei Leopold estaria à procura de esposa e que a união entre Leopold e Regina seria uma boa união política. Regina nesse momento tem lembranças de Cora que repetidas vezes dizia que um dia Regina seria rainha. 

Henry teme que Regina aceite o casamento visto que o Reino de Leopold estava a passar por uma grave crise com as rebeliões.

Regina diz que poderá fazer a diferença e aceita o casamento, não por amor, mas por causa da procura de um propósito.

Regina lembra-se de Leopold do funeral de Philip. O casamento é realizado.

Henry sobe com a filha para o altar. Ele diz que Regina merece tudo por ser “a mais bela de todas” e mais importante merece ser feliz.

Regina faz de tudo para conquistar o coração de Leopold, mas nota que este não a ama. Regina que já sofreu quando o seu verdadeiro amor morreu, sofre novamente.

Como Rainha, Regina não tinha o seu pai ao lado, visto que este era um duque do reino vizinho. Para se lembrar do pai, ela alimentava-se excessivamente de maçãs.

rainha má
O pai era a bussola moral que a mantinha estável.


Três vezes por mês, Henry viajava para visitar a filha, viagens estas que o Rei George ordenou diminuir por causa dos cursos expansivos das viagens.

Por isso, de três por mês passou a um em cada dois meses.

Como Leopold não a amava, Regina, desesperada por amor, sentia sempre a necessidade de estar com o pai.

As rebeliões e o sentimento antimonárquico estava forte e quando o Príncipe Henry veio visitar a filha, a carruagem real dele é atacada levando a um despiste. Henry não sobrevive e acaba por morrer.

O funeral ocorre no reino de George. Regina chora dias e noites sem fim e pede a Leopold para estar no funeral.

Leopold estava sobrecarregado com o estado económico e as rebeliões no reino e como não queria deixar a filha sozinha, proibiu Regina de ir para o funeral alegando que Branca precisava de uma mãe com ela no palácio e que ele próprio não podia cuidar da filha pelos afazeres.

Este gesto foi a gota de água que fez Regina preparar e orquestrar a morte de Leopold e a implementar um regime autoritário para vingar o pai morto pela rebelião.


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Branca de Neve

 A nossa história acontece em meados do século XVI na Alemanha.

Alemanha

O povo está numa miséria extrema. 

Os pesados impostos que a coroa exigia, fazia com que até o trabalhador mais bem pago lutasse para sobreviver.

 Os homens de família chegaram ao ponto de entregar as suas próprias vidas para a prostituição na esperança de ter algum rendimento para alimentar a família. 

A taxa de criminalidade aumenta exponencialmente, na medida em que o pobre tenta roubar de quem é mais pobre que ele.

pastor a pregar
 A única consolação que os infelizes recebem é nos púlpitos das Igrejas, em que o ministro pregador repetidas vezes repete e exorta de que “o justo viverá pela fé”.

Enquanto o povo sofria, a nobreza consumia-se nos mais exuberantes luxos e gastos.

Muitas vezes, alguns nobres compadeciam-se da situação do povo e davam-lhes esmolas realmente altas que davam sustento. Mas, daí chegavam os cobradores de impostos e confiscavam todo o rendimento.

Nesta situação, o povo já não conseguia sustentar as suas propriedades, o que acarretará ao fim da propriedade privada, não por um motivo ideológico, mas porque ninguém a conseguiria manter. O povo passaria a viver em edifícios, muitas vezes abandonado e partilhado por múltiplas famílias.

Regina

Regina Alemanha, Ano 1545 Numa aldeia do reino do Rei Philip vivia uma camponesa chamada Cora. Todos os dias ela trabalha no moinho ...