Regina
Alemanha, Ano 1545
Numa aldeia do reino do Rei Philip vivia uma camponesa
chamada Cora.
Todos os dias ela trabalha no moinho e no campo para o seu
pai.
O reino passava momentos difíceis especialmente naquele dia
em que o reino fazia memória da morte da saudosa rainha Aurora. Aurora, esposa
de Philip, tinha morrido há 5 anos, em 1540, vítima de uma peste que assolara a
região.
Philip era um escudeiro do Rei Stephan. Stephan prometeu que
daria a mão em casamento da sua filha Aurora a quem derrotasse e matasse uma
besta selvagem que assolava o reino. Philip sai vitorioso e torna-se rei ao se
casar com Aurora.
Philip tinha um temperamento agressivo e ansioso e do que se
tornou um casamento por interesse transformou-se num amor verdadeiro. Aurora
tinha um coração amoroso e uma ternura que amoleceu e conquistou o coração de
Philip.
Juntos eles tiveram dois filhos: Leopold e James. Enquanto
Leopold preferia atividades tranquilas, dedicando-se à literatura, dialética e
filosofia, James, por outro lado, preferia a arte da guerra e da conquista.
Em 1540, quando Leopold tinha 5 anos e Philip tinha 30 anos,
a Rainha Aurora falece deixando um legado de caridade e amor para a sua família
e também para todo o reino.
Com a morte da rainha, o Rei Philip esfriou o seu coração e
governou o seu reino com braços de ferro, exigindo mais dos seus súbitos com
mais impostos e exigências.
Cora, em 1545, tinha os seus 20 anos. O pai de Cora,
Jonathan, como meio para enriquecer transportava ilegalmente mantimentos e
produtos para o reino vizinho.
Essa rede ilegal colocou Jonathan sob a alçada da máfia, uma
espécie de máfia do séc. XVI.
O principal cliente de Jonathan era o Rei Xavier que
constantemente invejava os produtos do reino de Philip.
Por ter se atraso numa entrega, os contrabandistas castigam
Jonathan quebrando a perna dele. Debilitado, Jonathan, incapaz de continuar o
seu ofício, manda a sua filha Cora realizar a encomenda.
Cora sente medo e aflição pois não concordava com o
contrabando que o pai realizava mesmo sabendo que era o único meio de trazer
sustento para a sua casa. Mas, ao ver a agonia do seu pai e o perigo dele ser
morto pela máfia se falhasse novamente, Cora enche-se do coragem e parte em
missão.
Ela junta-se a mafiosos e atravessa num barco por um canal
escondido no mar do exército de Philip atravessando assim a fronteira. Ela
chega ao reino de Xavier e dirige-se numa carruagem para o palácio.
No palácio, Cora esbarra contra o príncipe Henry, o filho do
Rei Xavier.
Henry pensava que Cora era da realeza e começa a falar com
ela. O Rei Xavier apercebe-se da situação e manda punir Cora pois era
inadmissível uma plebeia estrangeira falar com o príncipe.
Henry vem em defesa de Cora, intercedendo para que o pai não
lhe castigue.
Cora veio mais três vezes ao palácio e em todas as situações
ela encontrava-se com o príncipe. Os dois apaixonaram-se e ponderaram casar,
mas as diferenças sociais eram um impedimento.
Henry apelou novamente ao pai que após repetidas negações, o
Rei Xavier percebe que o seu filho estava verdadeiramente apaixonado e aprova o
relacionamento dos dois.
Para não causar escândalo, ele decide tornar Cora um membro
da nobreza dando-lhe uma casa real com uma dinastia, ou seja, uma família
falsa. Este truque era para que aos olhos do público parecesse que Cora sempre
pertencera à nobreza.
O plano de Xavier foi bem-sucedido e Cora casa-se com Henry.
Meses depois, Cora dá à luz a sua filha com Henry, dando-lhe
o nome de Regina.
Como Henry não era o herdeiro de Xavier, nem ele, nem Cora
ou Regina poderão ascender ao trono.
A vida de Cora como nobre e princesa foi marcada pela
memória do seu pai.
Ela frequentemente tinha pesadelos da morte do seu pai pelos
gangues por ter falhado a encomenda. Em cada noite, ela sonhava diferentes
formas com que o seu pai era morto.
A culpa do abandono e da morte do pai, não deixava Cora
desfrutar dos benefícios e maravilhas da realeza.
Como Henry não era o herdeiro, ele não residia no palácio
real de Xavier, mas no castelo do ducado que administrava. De qualquer das
formas, vivia repleto de luxos, posses e poder.
Regina cresceu no ambiente real desconhecendo as origens
traumáticas da sua mãe. Cora foi para ela uma mãe muito protetora, exigente e
fria para não revelar as suas emoções. Por outro lado, Henry demonstrou ser um
pai amoroso e próximo a Regina.
Muitas vezes quando Regina e Cora muitas vezes se
desentendiam, Regina ia chorar para o quarto e Henry vai até ela para a
confortar dizendo muitas vezes que Regina era a “mais bela de todas”.
Cora ambicionava que Regina seria um dia rainha, e por isso
demonstrava muita antipatia ao Príncipe Real George, o filho mais velho do Rei
Xavier. George sabia disso e também odiava a sua cunhada Cora.
George como herdeiro e futuro rei à medida que os anos iam
passando ganhava mais poder e autoridade. Ele fora responsável por acabar com o
contrabando que tinha no seu reino e principalmente no seu palácio real. Ele
argumenta que o seu reino tinha os seus próprios recursos e que apesar de não
serem valiosos ou caros eram um orgulho para a nação e que era extremamente
degradante o comércio ilegal para a aquisição desses recursos cobiçados. Por
isso, ele reforça a segurança nas fronteiras e faz um acordo com o Príncipe
James, filho de Philip, para acabar com o tráfico.
A inimizade crescente entre George e Cora acarretou na
supressão de muitos benefícios reais à família dela, apesar da boa relação
entre os irmãos George e Henry.
Regina apaixonara-se por Daniel, um criado que trabalhava no
castelo do ducado.
Por medo da sua mãe, Regina e Daniel mantiveram um
relacionamento oculto e secreto.
Em 1570, o Príncipe Real James parte numa missão para
combater os mouros no norte de África.
Na noite anterior à partida, Leopold tenta convencer o irmão
a não ir e eles começam a discutir. A discussão começa a agravar-se ao ponto de
James dar uma bofetada a Leopold dizendo que um dia será rei, que irá poder
fazer tudo o que quiser e que Leopold teria que obedecer sem questionar. James
acabaria por partir em missão.
A batalha não foi fácil, James cai do cavalo e é degolado. O
corpo dele nunca mais apareceu, mesmo após buscas posteriores.
O reino de Philip entra num luto profundo. Vários chefes de
estado participaram no funeral, incluindo o Rei Xavier. Xavier consola Philip e
o abraça intensamente. Philip está extremamente angustiado e triste.
Terminado o funeral, Philip fica sozinho diante do tumulo do
seu filho que estava ao lado do tumulo da Rainha Aurora.
Ele relembra-se de todos os momentos e de todas as
recordações que tinha de James.
Recorda-se de um episódio em que James lhe pergunta como
estava o relacionamento do pai com Eduarda, a nova companheira. Philip responde
que desde a morte de Aurora nenhuma mulher tem conseguido conquistar o seu
coração e que por isso iria deixar Eduarda. Acrescenta que Eduarda não
conseguia deixá-lo nervoso, algo que Aurora o conseguia deixar e algo que James
também o conseguia deixar, sinal de que o amor nos deixa desconfortável,
ansiosos e desajeitados. Depois disso, Philip e James se abraçam.
Depois desta e de muitas outras recordações, o Rei Philip,
que não tinha dormido nem comido desde a morte do filho, chega a um ponto de
uma angústia tão profunda de desolação que tem um ataque cardíaco e cai morto
para dentro do tumulo de James que ainda não tinha sido coberto.
Na mesma semana em dias consecutivos o reino assiste a dois
funerais. O funeral do Rei e do príncipe marcaram profundamente o reino
inteiro. Um segundo funeral é organizado. Desta vez estiveram presentes, do
reino vizinho, o Príncipe Real George, o Príncipe Duque Henry e a duquesa
Regina que vinha acompanhar o pai.
Foi nesse funeral que Leopold e Regina se viram pela
primeira vez. Num momento em que Leopold estava casado com Eva e com uma filha
e Regina namorava secretamente Daniel.
Quando Regina e Henry, terminando o funeral, voltaram ao seu
ducado, Regina foi correr para matar as saudades de Daniel.
Regina foi para o posto de cavalaria, onde Daniel trabalhava
e deparou-se com algo que lhe despedaçou o coração: ela encontra Daniel
ensanguentado morto no chão.
O choque de ver o amado morto envolve a alma de Regina numa
tristeza profunda. Porém, no meio de tanta dor, ela vê na poça de sangue um
anel. Anel esse que Regina reconheceu pertencer a Cora, a sua mãe.
Na noite anterior em que Regina e Henry partiram para o
funeral de Philip, Cora que já tinha descoberto o romance secreto da sua filha,
aproveitou a oportunidade de estar sozinha, para ir ao posto de cavalaria
confrontar Daniel.
Ela encontra o jovem, revela conhecer o segredo do romance e
ameaça-o para que ele deixasse a sua filha e que nunca retorne ao reino. Daniel
mantém uma postura forte e determinada dizendo que Cora não iria impedir o amor
da sua filha e que não iria obedecê-la, pois ela era somente a consorte de um
ducado que estava a perder importância e prestígio.
Quando Daniel vira-lhe costas, Cora enraivecida espeta-lhe
um punhal nas costas dele, matando-o. Ela retira o punhal sem perceber que o
gesto fez cair o seu anel e deixa o jovem morto no local.
Regina descobrindo que a própria mãe teria matado o seu
amado, decide agir.
Ela encontra Cora na varanda do castelo e confronta-a com a
verdade.
Cora age fria dizendo que fez um favor para a filha e que
Daniel era um obstáculo para que se torne a rainha que nasceu para ser. Regina
desolada confronta a sua mãe e uma luta começa. Regina acidentalmente neste
confronto empurra a mãe pela varanda a matando.
O Príncipe Henry assistia secretamente e em choque a todo
este confronto.
Após o funeral de Cora, Regina estava muito perturbada por
ser a causa da morte da mãe e tendo tanto a imagem tanto da mãe como Daniel
mortos.
Henry nota o estado da filha, pois conhece o que
verdadeiramente aconteceu, ele lhe diz que a morte de Cora foi um mero acidente
e oferece para a filha uma maçã como uma prenda para “a mais bela de todas”.
Henry tenta consolar a filha, mas ele própria estava muito
abalado. Ele tem lembranças do dia em que conheceu Cora, de como defendeu-a do
Rei e do nascimento de Regina. Ela chora copiosamente, lágrimas essas que foram
notadas por Regina.
O Príncipe Real George consola o irmão. George apesar de ter
demonstrado uma antipatia por Cora, amava profundamente o irmão e consolou-o
neste momento de dor.
George conta a Henry que o pai o Rei Xavier estava a pensar
retirar-se do trono, após apresentar os primeiros sinais de demência. Com a
coroação próxima, George pede que Henry reine a seu lado, mas Henry nega a
proposta dizendo que agora todo o foco da sua vida estaria em Regina.
Anos depois, quando a Rainha Eva, esposa de Leopold morre, o
novo Rei George chama Regina em audiência dizendo que o Rei Leopold estaria à
procura de esposa e que a união entre Leopold e Regina seria uma boa união
política. Regina nesse momento tem lembranças de Cora que repetidas vezes dizia
que um dia Regina seria rainha.
Henry teme que Regina aceite o casamento visto que o Reino
de Leopold estava a passar por uma grave crise com as rebeliões.
Regina diz que poderá fazer a diferença e aceita o
casamento, não por amor, mas por causa da procura de um propósito.
Regina lembra-se de Leopold do funeral de Philip. O
casamento é realizado.
Henry sobe com a filha para o altar. Ele diz que Regina
merece tudo por ser “a mais bela de todas” e mais importante merece ser feliz.
Regina faz de tudo para conquistar o coração de Leopold, mas
nota que este não a ama. Regina que já sofreu quando o seu verdadeiro amor
morreu, sofre novamente.
Como Rainha, Regina não tinha o seu pai ao lado, visto que
este era um duque do reino vizinho. Para se lembrar do pai, ela alimentava-se
excessivamente de maçãs.
Três vezes por mês, Henry viajava para visitar a filha,
viagens estas que o Rei George ordenou diminuir por causa dos cursos expansivos
das viagens.
Por isso, de três por mês passou a um em cada dois meses.
Como Leopold não a amava, Regina,
desesperada por amor, sentia sempre a necessidade de estar com o pai.
As rebeliões e o sentimento
antimonárquico estava forte e quando o Príncipe Henry veio visitar a filha, a
carruagem real dele é atacada levando a um despiste. Henry não sobrevive e
acaba por morrer.
O funeral ocorre no reino de
George. Regina chora dias e noites sem fim e pede a Leopold para estar no funeral.
Leopold estava sobrecarregado com
o estado económico e as rebeliões no reino e como não queria deixar a filha
sozinha, proibiu Regina de ir para o funeral alegando que Branca precisava de
uma mãe com ela no palácio e que ele próprio não podia cuidar da filha pelos
afazeres.
Este gesto foi a gota de água que
fez Regina preparar e orquestrar a morte de Leopold e a implementar um regime
autoritário para vingar o pai morto pela rebelião.